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Home»Entretenimento»A vida de Paulo Gustavo é um musical espetacular com ‘Fascinação’, sambas, funk, risos e muito orgulho LGBTQIA+
Entretenimento

A vida de Paulo Gustavo é um musical espetacular com ‘Fascinação’, sambas, funk, risos e muito orgulho LGBTQIA+

junho 29, 2026Nenhum comentário7 Visitas


Espetáculo ‘Meu filho é um musical’ mostra o casamento de Paulo Gustavo (1978 – 2021) com Thales Bretas
Reprodução / Instagram ‘Meu filho é um musical’
♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO
Título: Meu filho é um musical
Dramaturgia: Fil Braz
Direção: João Fonseca e Ju Amaral
Direção musical: Tony Lucchesi
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Em 2006, o ator e roteirista Paulo Gustavo (30 de outubro de 1978 – 4 de maio de 2021) dramatizou com o humor o cotidiano familiar com a mãe, Déa Lúcia, e com a irmã, Ju Amaral, em “Minha mãe é uma peça”, solo que deu projeção nacional ao artista fluminense na pele de Dona Hermínia, personagem inspirada em Déa.
Vinte anos depois, a vida extraordinária de Paulo Gustavo é um musical em cartaz no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro (RJ). Idealizado por Déa Lúcia e Ju Amaral, “Meu filho é um musical” é espetáculo que narra a trajetória do ator da infância em Niterói (RJ) ao casamento (já rico e famoso) com Thales Bretas em narrativa interrompida com a morte precoce de Paulo Gustavo há cinco anos, vítima de covid-19, aos breves 41 anos.
Pela dramaturgia ter sido construída por Fil Braz, roteirista que trabalhava com Paulo Gustavo, o musical soa em fina sintonia com a obra e o espírito do homenageado. Tem obviamente risos ao longo das três horas de espetáculo, mas “Meu filho é um musical” passa longe do humor popular de uma sitcom como “Vai que cola”, estrelada por Paulo e por sinal sequer mencionada no texto de Fil Braz.
O espetáculo faz a elegia paradoxalmente alegre (mas inevitavelmente melancólica no fim) de uma vida que fez do riso uma resistência, inclusive contra a homofobia. Houve orgulho LGBTQIA+ na vida de Paulo Gustavo e ele é manifestado no palco porque o ator se revelou gay desde antes da fama e sofreu o preconceito do mercado audiovisual quando, após o sucesso de “Minha mãe é uma peça”, o artista tentou dar sequência à trajetória profissional. O musical mostra que Paulo Gustavo somente deu certo porque cavou as próprias chances no teatro e no cinema sendo ele mesmo, um ator esfuziante com timing preciso de comédia.
Sob direção de João Fonseca e Ju Amaral, “Meu filho é um musical” flui de forma espetacular, escorado no talento do elenco principal. João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se revezam nas setes sessões semanais – apresentadas de quarta-feira a domingo, com sessões duplas nos fins de semana – na pele de Paulo Gustavo (o crítico do g1 assistiu ao espetáculo em sessão protagonizada por Baitelli, mas Chaseliov atinge o mesmo nível de excelência do colega, a julgar por vídeos em rotação nas redes sociais).
Coprotagonista, Dona Déa é interpretada de forma exemplar pela atriz e cantora Stella Maria Rodrigues, sendo que, em alguma sessões, a própria Déa entra em cena no início e no fim, abrindo o espetáculo com o canto de “Fascinação” (Fermo Dante Marchetti e Maurice de Féraudy, 1905), valsa-canção ouvida na versão em português escrita por Armando Louzada (1908 –1986), apresentada em 1943 na voz do cantor Carlos Galhardo (1913 – 1985) e amplificada há 50 anos em gravação feita em 1976 por Elis Regina (1945 – 1982).
Já perto do fim, Déa volta e canta com Stella Maria Rodrigues os sambas “Camisa amarela” (Ary Barroso, 1939) e “Exaltação à Mangueira” (Enéas Brites da Silva e Aloísio Augusto da Costa, 1955), número em que as luzes do palco ficam verde e rosa.
No geral, “Meu filho é um musical” é espetáculo iluminado pelas cores do arco-íris, inclusive pelas menções orgulhosas ao fato de Ju Amaral ser lésbica. Aliás, merece aplausos a composição de Castorine como Ju. A atriz reproduz em cena a energia e o jeito da irmã de Paulo Gustavo.
Com exceção das músicas cantadas por Dona Déa, o elenco interpreta trilha sonora original, composta para o espetáculo por Daniel Salve e orquestrada sob direção musical de Tony Lucchesi. A trilha abarca o funk cantado por Dona Hermínia na reprodução da encenação de trecho de “Minha mãe é uma peça”.
Emoldurado pelo cenário de Nello Marrese, adornado por pilastras de arquitetura grega, o elenco se afina ao longo de dois atos estruturados em 25 ambientes cênicos, dando vida aos personagens sem traços caricaturais, mas com refinados trabalhos de composição.
Se o primeiro mostra o nascimento de Paulo Gustavo como ator, profissão que deu norte ao artista após períodos de desorientação existencial e profissional, o segundo foca no surgimento da estrela que arrastou milhões de brasileiros às salas de cinema com os três filmes da franquia “Minha mãe é uma peça”.
Embora focada na narrativa familiar e profissional do ator, evidenciando os laços familiares que jamais foram cortados por Paulo Gustavo com a chegada da fama e do dinheiro, a dramaturgia de Phil Braz põe em cena, de forma episódica, personagens da série de TV “220 volts” – apresentada por Paulo Gustavo de 2011 a 2016 no Canal Multishow – como Maria Enfisema (hilária na interação com o público no fim do intervalo entre os dois atos) e Senhora dos Absurdos.
Com roteiro que molda em cena um retrato generoso do ator, mas não a ponto de santificar o artista, “Meu filho é um musical” é espetáculo que cumpre bem a função de entreter, emocionar e ressaltar o qual diferenciada foi a vida assumida e orgulhosamente gay de Paulo Gustavo.
Pierre Baitelli, Déa Lúcia (ao centro) e Stella Maria Rodrigues na sessão de sábado, 27 de junho, do espetáculo ‘Meu filho é um musical’
Rodrigo Goffredo

Fonte: G1 Entretenimento

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