Jacaré de pedra, queima de tambores e praça monumental: aos 35 anos Palmas coleciona histórias e esbanja cultura nortista

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O g1 celebra os 35 anos de Palmas com uma reportagem especial sobre os aspectos históricos e culturais que dão vida a capital mais nova do país. Imagens mostram um pouco da cultura e regionalidade de Palmas
“E no seio de tuas serras recebeste todos e os fizeste filhos da terra”, diz um verso do hino de Palmas. Nesse dia 20 de maio, a Capital do Tocantins celebra 35 anos de criação. Uma cidade que equilibra evolução e preservação, encanta visitantes e recebe novos moradores de diversas partes do Brasil e do mundo.
Para comemorar o aniversário de Palmas, o g1 fez uma matéria especial sobre lugares, eventos e obras que formam e dão características à capital mais nova do país, a transformando em um lugar único e especial.
Maior praça da América Latina
Brasão está pintado no piso da praça em frente ao Palácio do Araguaia
Reprodução/Governo do Tocantins
A maior praça da América Latina está em Palmas. Com 571 mil metros quadrados, a Praça dos Girassóis encanta moradores e turistas com suas construções, monumentos e referências culturais e históricas. Alguns monumentos contam momentos importantes da formação da capital
Na ala norte, a escultura Súplica dos Pioneiros faz a representação dos primeiros moradores de Palmas. Com os braços abertos para o céu, em direção onde o sol nasce, a obra faz uma referência a vida em um novo lugar.
Quem passa pela praça também pode ver o Memorial da primeira missa realizada em Palmas. Com uma cruz feita de pau-brasil, a obra marca o início da construção da praça e da própria cidade.
Monumento Súplica dos Pioneiros (à esq.) e Memorial da Primeira Missa, o Cruzeiro (à dir.)
Divulgação/Vilma Nascimento
Quem se mudou para Palmas no início de sua construção relembra o sentimento de esperança em um futuro melhor e de novas oportunidades. Isaías Ferreira de Oliveira, de 73 anos, é agrimensor e mora na capital há 33 anos. Cada pedacinho da cidade o faz lembrar dos avanços ao longo dos anos.
“A cidade se tornou para gente um pouquinho de cada um de nós que viemos para cá. Cada avenida que era aberta, inaugurada, era sempre um pouco da realização e de acreditar que algo melhor vinha. Muitas pessoas chegaram para aqui só com a esperança de vencer, só com a força e a dedicação”, contou.
Jacaré de pedra
Jacaré de pedra fica no estacionamento do Espaço Cultural José Gomes Sobrinho
Divulgação/Stefani Cavalcante/Google
Além de uma praça gigante, a capital também tem um grande jacaré de pedra. De perto pode não parecer, mas de longe é possível ver a silhueta do animal que, inclusive, pode ser encontrado com frequência em diversas regiões de Palmas.
Localizado no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho desde 2000, o jacaré feito de granito tem 52 metros e pesa aproximadamente 200 toneladas. A obra é do artista goiano Siron Franco, que entregue como um presente à Palmas.
O jacaré fica em frente ao Cine Cultura e do lado do estacionamento no espaço cultural.
Palmas e suas araras
Arara-canindé, nativa da região central do Brasil, vive tranquilamente na cidade de Palmas-TO
Reprodução/TV Anhanguera
As araras-canindé são animais silvestres vistos com frequência pela cidade e praticamente se tornaram um símbolo da capital. Já voaram com motociclistas, fizeram visitas à moradores em casas e criaram ninhos em palmeiras.
Em alguns momentos esses animais se tornam tão íntimos dos palmenses que se sentem seguros ao pousar na cabeça de uma ciclista ou pegar carona no ombro de corredores. Ao longo dos anos, o g1 contou algumas dessas histórias:
Araras-canindé fazem ninhos no topo de palmeira e trocam carícias no centro de Palmas
Quintal de moradora em Palmas vira point das Araras-canindé: ‘Cheguei a contar 23’
VÍDEO: Arara voa ao lado de motociclista no meio de avenida em Palmas: ‘Cena maravilhosa’
Arara pousa no ombro de personal e acompanha corrida: ‘Dei o braço e ela veio’
Cachoeiras de Taquaruçu
Cachoeira do Evilson, em Taquaruçu
Edu Fortes/Secom Palmas
As cachoeiras encantam pela sua beleza e são amadas pelo poder de renovar as energias dos visitantes. Com águas frias e flora nativa, moradores e visitantes aproveitam o espaço para sair da correria do dia a dia e descansar ao redor da natureza. Em Taquaruçu são catalogadas 80 cachoeiras. Dentre as mais conhecidas estão:
Cachoeira Roncador – Com mais de 70 metros, recebeu esse nome pelo barulho da queda d’água. Tem uma escadaria de 152 metros que dá acesso à trilha de 1,5 quilômetros.
Cachoeira Escorrega Macaco – Tem uma queda d’água de 50 metros. O nome faz uma referência a árvore, que tem o mesmo nome, utilizada há anos atrás para que pessoas pudessem chegar à cachoeira
Cachoeira do Evilson – A trilha para chegar às águas pode ser íngreme, mas compensa pela queda d’água de 25 metros. Quem busca visitar o local pode ir pela rodovia TO-030.
Cachoeira da Arara – A queda d’água chega a 50 metros com um poço grande. O local fica na Fazenda Ecológica em Taquaruçu.
Festival Gastronômico
Festival Gastronômico de Taquaruçu
Prefeitura/Agtur
O Festival Gastronômico de Taquaruçu é considerado lei na capital pelos moradores. Anualmente, ingredientes regionais são usados por chefes, que dão sabor a cultura palmense. Além da comida boa, o evento também conta com shows de artistas regionais e nacionais.
Com o clima agradável e ‘fresquinho’ de Taquaruçu, o público já contou com várias atrações. Já passaram pelo palco os artistas Dorivan Borges, Genésio Tocantins, Impacto Latino, Léo Pinheiro, Nando Reis, Fábio Júnior, Titãs, Zelia Duncan e muitos outros.
Queima de Tambores
Queima dos Tambores é um rito tradicional que acontece no distrito há mais de 20 anos
Divulgação
Taquaruçu e cultura são quase sinônimos. Um distrito que combina as belezas naturais com música e poesia também é espaço para a Queima de Tambores. O ritual existe há mais de 20 anos e é organizado pelo mestre Wertemberg Nunes.
Músicos e público se reúnem em volta do fogo (aceso no Turimbó) e usam um cavaco de madeira para fazer um pedido. Primeiramente esse pedaço de madeira é atribuído a algo ruim, que a pessoa deseja que seja transformada em algo bom.
Estações com nomes de etnias indígenas
Cada estação de ônibus em Palmas recebeu o nome de uma etnia indígena em sua inauguração, em 2007. Os nomes foram colocados para homenagear os povos indígenas que fazem parte da construção, não só de Palmas, mas do Tocantins e de todo país. Veja os locais:
Apinajé – estação da 101 Norte
Xambioá – estação da 602 Sul
Krahô – estação da 1.201
Xerente – estação do Jardim Aureny III
Karajá – estação do Jardim Aureny I
Javaé – estação de Taquaralto
Feira do Bosque
Feira do Bosque é realizada aos domingos em Palmas
Luciana Pires/Secom Palmas
A feira é umas das mais antigas tradições de Palmas e fica localizada no Bosque dos Pioneiros. O local é obrigatório aos turistas que buscam levar para casa uma ‘lembrancinha’ de capim dourado, produto considerado parte da identidade tocantinense.
Além do artesanato, as diversas opções de comidas também chamam atenção dos palmenses.
Parque Cesamar
Parque Cesamar é lar de capivaras em Palmas
Regiane Rocha/Secom Palmas
O Parque Cesamar é um dos espaços mais usados pelos palmenses para passear no fim de tarde, além de ser lar das capivaras. O parque recebe quem busca por lazer e atividades físicas ao ar livre.
No parque também é possível encontrar a sede da antiga Fazenda Triângulo, que foi desapropriada para a implementação de Palmas. O edifício foi o único que permaneceu em pé. Em 1990, foi a sede da primeira Prefeitura e Câmara Municipal de Palmas.
Já em março de 2005, o local foi tombado como Casa Suçuapara.
Ponte da Amizade e da Integração
Ponte da amizade e da integração
Divulgação/Prefetura de Palmas
A Ponte da Amizade e da Integração, sobre o lago formado pelo enchimento da Usina Hidrelétrica no rio Tocantins, tem 8 quilômetros de extensão entre o aterro e a estrutura de concreto. O local pode ser visto da Praia da Graciosa e é um dos cartões postais da capital.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o ponto mais alto da ponte está a 25 metros acima da cota do lago e a 220 metros acima do nível do mar.
Praia da Graciosa
Pôr-do-sol registrado na Praia da Graciosa
Pedro Igor/Divulgação
Com 520 metros de orla, a praia é ‘point’ para quem quer curtir com a família e amigos, praticar atividades físicas e até aproveitar encontros românticos. O local encanta pela vista privilegiada do pôr do sol, que é considerado pelos morados um dos melhores do mundo, e a Ponte da Amizade.
A Graciosa também é um dos cartões postais da cidade. E toda essa beleza serve de inspirações para artistas do estado. A escritora, Silene Lima da Silva, por exemplo, eternizou a capital nos versos de seu poema ‘Palmas para Todos’, publicado no livro Tocantins em versos.
“Palmas é encantadora, linda por natureza
Agraciada com um lago, serras e cachoeiras
Planejada com requinte por inteira
Largas avenidas, lindas praças e jardins.
Palmas, sinônimo de oportunidade,
Tranquilidade, qualidade de vida, enfim…
Palmas para você e para mim
Palmas para todos e que seja sempre assim.”
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Fonte: G1 Tocantins