As horas antes da votação do projeto de lei que pretende regulamentar aplicativos de transporte, como Uber, 99 e Cabify, prevista para a tarde desta terça-feira (31) no Senado, contaram com uma pessoa detida, spray de pimenta e clima de tensão entre taxistas e motoristas dos serviços particulares.

Segundo a Uber, o diretor de comunicação da empresa, Fabio Sabba, foi agredido por representantes dos taxistas. A empresa afirmou que o executivo fez um boletim de ocorrência na Polícia do Senado.

Os senadores buscam há cerca de um mês um acordo para a questão relativa aos serviços de transporte por meio do uso de aplicativos. Sem chegar a um ponto comum, o presidente da casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), colocou em pauta a urgência na última semana, que foi aprovada pela ampla maioria dos parlamentares.

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Em um dos gramados em frente ao Congresso Nacional, um homem que estava no espaço reservado aos taxistas foi detido pela Polícia Militar após supostamente ter arremessado objetos na direção de policiais.

Os grupos dos taxistas e dos motoristas de aplicativos ficaram separados em lados contrários por barreiras físicas no gramado da Esplanada dos Ministérios. No entanto, por volta das 16h, as barreiras montadas já haviam sido derrubadas no chão e a separação dos grupos era feita pelos próprios policiais.

Em outro momento, diante da iminência de um confronto entre taxistas e motoristas, a PM teve de intervir com spray de pimenta para dispersar ambos os lados dos manifestantes. Em protesto, taxistas chegaram a fechar o trânsito da Esplanada nas proximidades do Congresso e, após conversas com a PM, liberaram a pista.

A estimativa, apurou o UOL, é que há cerca de 1,1 mil manifestantes na Esplanada e outros 200 dentro do Senado. Em uma das alas da Casa, um grupo de cerca de 300 pessoas, entre favoráveis e contrários ao projeto de lei, realizou protestos e promoveu gritos de ordem. A Polícia Legislativa, responsável pela segurança do Congresso, impede a entrada deles no salão azul, que dá acesso ao plenário. Bandeiras do Brasil e cartazes foram confiscados na entrada, afirmaram manifestantes.

Alguns motoristas do Uber conseguiram passar pela barreira de segurança e pressionaram o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), a não defender mais a regulamentação do serviço. O deputado rebateu que todos os lados foram ouvidos e o projeto foi amplamente discutido na Câmara antes de seguir para o Senado.

Argumentos de taxistas

Taxistas ouvidos pelo UOL no Senado afirmaram não ser contra os serviços como Uber e Cabify, mas defenderam a regulamentação com regras mais rígidas para os motoristas. Segundo a categoria, é injusto que os taxistas tenham de pagar, em geral, mais impostos do que os demais, renovar a carteira de motorista a cada quatro anos e ser aprovados em cursos de atualização para continuar trabalhando, por exemplo.

“Quando a gente entra em uma praça, tem muita exigência do poder público. Queremos a igualdade, não acabar com eles. Temos de mostrar a segurança para a população que advém dessa regulamentação”, disse Felício Miranda, que trabalha como taxista há 30 anos em Belo Horizonte, em Minas Gerais.


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