Depois de os russos protestarem, Vladimir Putin, o presidente do país, anunciou nesta quarta-feira (29) que ‘suavizará’ as propostas de reforma da Previdência. A ideia inicial era aumentar a idade de aposentadoria para as mulheres para 63 anos – hoje, as russas se aposentam aos 55.

Devido ao mal-estar gerado pela proposta, o mandatário vai propor deixar em 60 anos a idade de aposentadoria para as mulheres no país.

O aumento da idade de aposentadoria para os homens permanece: se aposentarão aos 65 anos – hoje em dia, eles se aposentam aos 60.

O presidente russo também sugeriu uma aposentadoria antecipada para as mães de famílias numerosas e a adoção de sanções penais para as empresas que demitem os funcionários que se aproximam da idade de aposentadoria.

As propostas de Putin serão incluídas no projeto de lei o mais rápido possível, afirmou o primeiro-ministro Dmitri Medvedev.

Em seu longo discurso, Putin defendeu e justificou o projeto de reforma da Previdência, que foi anunciado no dia da abertura da Copa do Mundo, 14 de junho, alegando que a mudança “não pode ser mais adiada”.

“A longo prazo, mostrar dúvidas hoje pode ameaçar a estabilidade da sociedade e a segurança do país”, justificou Putin.

“Sem reforma, mais cedo ou mais tarde destruiremos nossas finanças, seremos obrigados a assumir dívidas ou a imprimir dinheiro sem reservas, com as consequências que isto provoca: hiperinflação e aumento da pobreza”, completou o presidente russo, para quem o desequilíbrio atual do sistema de aposentadorias é consequência direta da Segunda Guerra Mundial e do caos econômico e social dos anos 1990.

O projeto de lei previa até agora o aumento progressivo da idade de aposentadoria – algo inédito na Rússia em quase 90 anos – a 63 anos para as mulheres e 65 para os homens, contra 55 e 60 atualmente.

Os críticos da reforma, aprovada em primeira votação no Parlamento em julho, afirmam que muitos russos, especialmente os homens – que têm expectativa de vida de 66 anos – não poderiam aproveitar a aposentadoria.

Putin, que não mencionou a questão da Previdência durante a campanha que levou a sua reeleição em março, e que intentou distanciar-se da reforma, viu sua popularidade cair de 80% em maio para 64% em junho, de acordo com o centro russo de pesquisas de opinião VTsIOM.


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