Moisés Avelino “A duplicação da BR-153 em Paraíso vai sair do papel”

Finanças equilibradas, 50% do 13º salário do funcionalismo pago e verbas reservadas para pagamento da segunda parcela no dia 20 de dezembro, obras em execução e outras sendo entregues. São algumas das conquistas enumeradas pelo prefeito de Paraíso do Tocantins, Moisés Avelino, no primeiro ano de seu terceiro mandato.

Piauiense de Santa Filomena, Moisés Nogueira Avelino migrou para Goiás na década de 1950, onde estudou medicina pela Universidade Federal (UFG), curso concluído em 1973. Radicou-se então no Norte de Goiás, cidade de Paraíso, praticamente o meio da estrada entre sua cidade natal e Goiânia, terra de sua mulher, Virgínia Constância Pugliesi Avelino.

Filiou-se ao PMDB em 1981, sendo eleito prefeito da cidade em 1982, para o mandato que duraria de 1983 a 1988, considerado um marco para o desenvolvimento do município. Devido ao trabalho prestado, Moisés Avelino foi eleito deputado federal em 1989.

Eleito governador do Estado do Tocantins, governou de março de 1991 a dezembro de 1994 e transformou a mais nova unidade da Federação em um canteiro de obras. Foi reconduzido ao Congresso Nacional, para o seu segundo mandato como deputado federal, de 2007 a 2010. Em 2013, foi eleito prefeito de Paraíso e reeleito em 2016, com 49% dos votos válidos.

No dia 23 de outubro foi comemorada a emancipação política do município do Paraíso do Tocantins. Quais as realizações e o legado de sua gestão para a cidade?
O mês inteiro de outubro foi de festa e comemorações. Realizamos 38 eventos esportivos, além do desfile cívico no dia 23 – muito elogiado por todos os presentes, entre autoridades e imprensa – e no período noturno, show artístico, entre outras atrações culturais.

Acredito que a cidade está organizada, as finanças estão equilibradas, 50% do 13º salário pago e verbas reservadas para pagamento da segunda parcela no dia 20 de dezembro. Tenho assinado várias ordens de serviços, outras obras estruturais nas zonas urbana e rural estão em pleno andamento, como também, outras em fase de inaugurações, numa luta constante pela melhoria da cidade.

Estamos rompendo e vencendo as dificuldades com planejamento, bom senso, honestidade e redirecionamento de verbas, de forma tal que sejam suficientes para concluir os projetos em andamento.

Essas obras são fruto de emendas parlamentares ou oriundas do próprio tesouro municipal?
Existem ambos os casos, alguns empreendimentos são fruto de emendas parlamentares e outros, construídos com recursos próprios. Estamos direcionando mensalmente, recursos para obras estruturantes que, ao final de cada ano, somadas, acabam por representar um montante considerável. Paraíso não parou ainda não, não aceitamos a desculpa da crise por aqui.

O sr. considera que sua reeleição em 2016, foi fruto desse trabalho?
Não tenho dúvida. Na primeira eleição, em 2012, após 20 anos afastado da prefeitura, apenas os eleitores mais idosos me conheciam. Foi uma luta inglória e quase perdi a eleição para um gestor que, nitidamente, havia feito uma péssima administração. Com o decorrer do tempo e as realizações ocorridas, na eleição de 2016 a juventude se engajou na campanha e saiu às ruas defendendo minha reeleição. Resultado: obtivemos êxito com mais de 4 mil votos de frente, um número notável, na medida em que a cidade possui 31 mil eleitores. Foi um reconhecimento de toda a sociedade, sem dúvida, do trabalho desenvolvido. Não é possível fazer tudo, é claro, mas fazemos tudo que é possível.

Houve um crescimento considerável dos índices quando os assuntos são cultura, esportes e educação. Para se ter uma ideia, no início da minha gestão havia 2.300 alunos matriculados na rede municipal de ensino e hoje são mais 4.600, uma vez que os pais ou responsáveis viram uma nítida melhoria na qualidade do ensino fundamental e acabaram por migrar seus filhos para nossas escolas públicas, que, diga-se de passagem, possuem equipes qualificadas.

Essa priorização pela qualidade passa pela ausência de ingerências da administração na contratação de professores, por exemplo. Não faço indicações e nem admito que o façam, para contratação de ninguém e só permanece nas salas de aulas mantidas pelo município, aqueles que realmente têm perfil e querem trabalhar, priorizando essa qualidade na prestação do serviço. Por isso, somos muito bem avaliados pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e nos dá um respaldo muito positivo.

Na área da saúde também tem havido muitos avanços e temos atendido os munícipes dentro das nossas possibilidades. Implantamos ainda o projeto Geração de Renda, que já selecionou e qualificou mais de 2.400 mulheres que complementam a renda familiar após terminarem os cursos. Tudo isso, por intermédio de parcerias com o Sebrae, Senai, Sesc, Pró-Cerrado, que estão engajados nesta luta e isso é muito gratificante para mim, como gestor público.

Uma das demandas mais recorrentes é a duplicação da BR-153 no perímetro urbano da cidade. Qual é a previsão de construção desta obra?
Enquanto cidades com o mesmo grau de importância de Paraíso, como Araguaína, Colinas, Guaraí, Miranorte e Gurupi foram agraciados com a duplicação do perímetro urbano, nossa cidade ainda sofre os efeitos de não ter recebido tais benefícios.

Estamos pagando um alto preço, uma vez que a cidade é o polo referencial para as cidades localizadas no Vale do Araguaia. Há um intenso transporte de calcário, cereais e animais e a travessia sem duplicação prejudica a passagem dos caminhões, quer seja para aqueles que vão para o Norte ou para o Sul, quer seja para outros que seguem no sentido de Palmas ou da Ferrovia Norte-Sul. Os cruzamentos estreitos e o tráfego intenso de caminhões, principalmente para este último destino, têm prejudicado em demasia o fluxo e o trânsito da cidade.

No governo da presidente Dilma Rousseff, um determinado ministro rompeu a execução do projeto sob o argumento de refazê-lo com adequações. A burocracia emperrou os trâmites subsequentes e a cidade, assim como toda a população, ficou prejudicada.

Minha alternativa foi recorrer ao competente e dedicado senador Vicentinho Alves (PR), que se engajou na luta. Estivemos no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em reunião com o diretor-geral, Valter Casimiro Silveira, e ele nos apresentou uma sugestão muito boa: ao invés de buscar recursos no orçamento, executar a duplicação da BR-153 em Paraíso com verbas destinadas à manutenção da rodovia Belém-Brasília, uma vez que o custo da obra não é tão alto assim. É uma luz no fim do túnel e se tudo caminhar bem, até o final do ano será feita a licitação do referido trecho e a obra vai sair do papel. Saí do gabinete dele muito esperançoso.

Por falar em trâmite em Brasília, como é o seu relacionamento com a bancada federal?
Tenho um bom conhecimento com todos, em razão dos vários anos militando na política. Tenho boas relações com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), com o presidente Michel Temer, entre outros. Mas em Brasília, convém ressaltar, o que vale mesmo é o voto. Quem me auxilia muito na capital federal, como já expus, é o senador Vicentinho e o filho dele, deputado Vicentinho Jr. Eles têm se dedicado de coração às demandas do nosso município.

E em relação ao parlamento estadual?
Também me relaciono bem com todos, até mesmo com adversários políticos, mas compreendo as dificuldades para liberação de emendas em âmbito estadual. Os recursos são parcos, não se pode exigir muito. O deputado mais próximo é o Nilton Franco, que é do mesmo partido e da região, teve muitos votos por aqui e tem nos ajudado na medida do possível, face às próprias limitações do orçamento.

Recentemente, o governador Marcelo Miranda (PMDB) inaugurou obras de melhoria no pátio industrial de Paraíso, e assinou ordem de serviço para pavimentação do trecho que liga a cidade à Chapada da Areia. Como tem sido essa relação com o chefe do Palácio Araguaia?
Somos do mesmo partido, o PMDB, e a relação é boa. Essa obra do Parque Industrial já se arrastava por muito tempo, desde quando o saudoso Eudoro Pedrosa era secretário de Estado. Neste ano, o governo conseguiu se organizar e concluiu os serviços, que eram de crucial importância, uma vez que o tráfego intenso de caminhões já havia deteriorado a antiga camada asfáltica que havia por lá, prejudicando de uma forma geral o fluxo e o bom andamento das atividades.

No que concerne a pavimentação até a chapada, também é uma antiga reivindicação da população. Em gestões estaduais anteriores, essa obra já havia sido lançada muitas vezes, mas nunca iniciada, nem tampouco concluída, mesmo porque sequer havia orçamento.

O governo Marcelo Miranda conseguiu recursos junto ao Banco Mundial, viabilizando sua construção. O dinheiro já está garantido e a empresa que executará os serviços já está se instalando em Paraíso. Certamente, esta rodovia estará pronta em um ano e meio ou dois anos.

E qual a importância desta estrada para a região?
A rodovia será a interligação entre a própria Chapada da Areia e, futuramente até o distrito do Café da Roça, onde há o encontro da rodovia que vai de Marianópolis até Lagoa da Confusão. Há muitos produtores naquela região e Paraíso é a interligação regional de todos eles, com a rodovia, com a ferrovia e com a capital do Tocantins.

No que concerne à política, quais as perspectivas futuras?
Ainda não iniciamos as tratativas para 2018. O PMDB ainda não se reuniu para tratar do tema, e acredito que já deveríamos ter realizado encontros para discutir nosso futuro, indicação de candidatos, parcerias, coligações, etc. Precisamos trocar ideias, dialogar, emitir opiniões e fluir para construção de um grupo político forte, como também, bons nomes que possam representar bem o Estado do Tocantins.

O PMDB hoje governa o país com Michel Temer. Qual é a sua avaliação?
Na realidade, esse período de pós-transição Dilma-Temer sempre foi tumultuado. O presidente nunca teve condições de governar com tranquilidade. Há um processo e um interesse político para retirá-lo do poder, contudo, aos poucos ele vai contornando essas dificuldades. A oportunidade de o Brasil sair da crise e se encaminhar para um novo tempo, é agora. Temer tem coragem de promover as reformas que o país necessita, muitas vezes antipáticas politicamente falando. Se não for possível fazer todas, pelo menos que elas sejam iniciadas, principalmente a da Previdência, que enfrenta um déficit absurdo, que se não for controlado, em pouco tempo resultará no caos. As reformas amenizariam as dificuldades da nossa economia. Além disso, os índices apresentados pela equipe econômica já demonstram que o país está no caminho certo e merece credibilidade por parte dos empresários, políticos e mercado internacional.


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