Uma pequena cidade na costa sul da Nova Zelândia quer implementar um plano radical e controverso para proteger a vida selvagem local: banir todos os gatos domésticos.

Proposta pela agência ambiental Environment Southland, a iniciativa faria com que a geração de gatos atuais fosse a última: depois que os gatos dos habitantes de Omaui morressem, os residentes da cidade não poderiam mais adotar nenhum felino.

O plano prevê também que donos de gatos tenham de castrar, colocar um microchip de controle e registrar seus bichos com as autoridades locais.

A iniciativa foi proposta na assembleia legislativa local como parte do gerenciamento da vida animal e está aberta para consulta com os moradores da cidade desde terça-feira. A decisão se o plano será adotado ou não deverá ser tomada até outubro.

Criticada por muitos moradores de Omaui, a medida é defendida por organizações que argumentam que gatos domésticos são responsáveis pela morte de bilhões de pássaros e pequenos mamíferos todos os anos.
Caçadores

As autoridades afirmam que a medida de proibir os gatos é justificável porque câmeras de segurança mostram os animais soltos na rua caçando pássaros, insetos e répteis.

“Seu gato pode viver sua vida em Omaui normalmente. Mas quando ele morrer, você não poderá adotar outro”, afirma Ali Meade, gerente de biossegurança da agência ambiental local, argumentando que os gatos têm causado muitos danos à vida selvagem de Omaui, localizada ao lado de uma grande reserva ambiental.

Mas moradores ouvidos pela imprensa local se disseram “chocados” com a proposta de banir os gatos.

Um deles, Nico Jarvis, argumenta que seus três gatos ajudam a combater pragas em sua casa e disse que a proposta é a de um “Estado policialesco”. ”Não é nem uma regulação, é uma proibição”, afirma.

Amantes de gatos no grupo de Facebook da entidade reagiram às notícias com virulência e disseram que veneno, poluição de carros e humanos também causam danos às espécies nativas.

A ONG Paw Justice, que luta contra abuso de animais, questionou as informações que baseiam para o projeto.

“(Autores da proposta) afirmam que câmeras registraram os danos feitos por gatos à flora e à fauna nativas. Mas precisamos de fatos antes de começar esse jogo de distribuir culpas”, diz comunicado da ONG no Facebook. “Podemos ver as imagens dessas câmeras? Quantos pássaros morreram? Quantos gatos supostamente causaram esse dano? É um único gato? Ele é selvagem ou domesticado? Quem conduziu o estudo e será que ele foi checado de modo independente? Como sabemos se o dano ambiental não foi causado por outros fatores? (…) Decisões que afetem nossa comunidade amante de animais de estimação devem ser baseadas em pesquisas e fatos, não conjecturas. Desde quando nosso país se tornou uma ditadura?”

Pelo projeto, qualquer pessoa que desrespeite a legislação receberia uma notificação e, se continuasse se recusando a respeitá-la, as autoridades iriam confiscar o novo animal – mas só “em última instância”.

John Collins, diretor da entidade Landcare Omaui, é um dos principais defensores do projeto de banir os gatos para proteger o “alto valor” das reservas naturais da cidade.

“Não odiamos gatos, só queremos que o ambiente seja rico em vida selvagem”, disse Collins ao jornal Daily Times.

O ecologista Pete Marra, diretor do Centro de Migração de Pássaros Smithsonian, é autor de diversos artigos e livros sobre os riscos impostos por gatos domésticos à fauna.

Ele afirma não ser “anti-gato” ou contrário às pessoas que têm os bichanos. “Gatos são ótimos bichos de estimação – são excelentes! Mas eles não deveriam ficam soltos na rua, assim como não deixamos os cachorros andarem soltos na rua”, argumenta.


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